Jornalismo na Guiné-Bissau: Amadu, jornalista ambiental

Terceiro filho de uma família modesta, Amadu Tidjane Sal nasceu em 1980, em Bissau. Chegou às redacções em 2000, quase sempre na rádio. Bombolom, Pindjiguite, Nossa e Voz de Quelélé (com a qual ainda colabora). Foi director do jornal Dia-A-Dia. Sempre como voluntário. Está a concluir uma licenciatura em comunicação e jornalismo.

Conheci-o, no Senegal há uns anos. Depois disso, estivemos juntos meia dúzia de vezes, no seu país ou em Dakar. O Amadu é um daqueles jornalistas a quem os anos de profissão não tiraram a paixão por aquilo que faz, apesar de todas as dificuldades. É o principal jornalista ambiental guineense e um activista convicto da causa da protecção ambiental.

Toda a minha vida, até aos dias de hoje, sou voluntário. Foi nesta base que entrei na imprensa. O nível de português fez com que apoiasse as redacções. Fui acumulando experiências até agora.

Amadu Tidjane Sal

Na Guiné-Bissau, a blogosfera detém uma importância central na definição do espaço mediático. À falta de projectos de jornalismo online consolidados, alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país são blogs (o melhor exemplo será Ditadura e Consenso, de António Aly Silva). Tidjane Sal não é excepção e mantém o blog O Ambiente, através do qual dá cobertura a temas da actualidade ambiental do seu país.

Esta fragilidade do sector mediático guineense – que encontramos reproduzida, em maior ou menor grau, na generalidade dos países africanos – condiciona a forma como o jornalismo é feito, enfraquecendo-o, com as consequências de daí advêm.

Na Guiné-Bissau, identificamos um sector público altamente controlado, cheio de debilidades, como um enorme atraso tecnológico, e um sector privado incipiente, formado por empresas pequenas e dependentes de interesses políticos, económicos e religiosos. Num caso e noutro, uma política de salários baixos (ou inexistentes, já que muitos profissionais trabalham em regime de auto-financiamento ou voluntariado), expõe os jornalistas, tornando-os alvos fáceis.

Jornalista. Porquê?

Pela paixão pela escrita, o espírito voluntário, a consciência cidadã e o dever moral.

Quais são as maiores dificuldades que encontras ao fazer jornalismo na Guiné-Bissau?

Várias. Lembro-me do contra golpe falhado no 12 de Abril de 2012. Fui o primeiro a chegar e a minha salvação foi o facto de conhecer muitos dos militares pois estudei no jardim Titina Silla, que ficava dentro de um aquartelamento. Outro problema é falta de meios assim e a dependência dos órgãos.

Como avalias a liberdade de imprensa no teu país?

Diria, francamente, que não há liberdade de imprensa, mas sim libertinagem. Falta regulação e responsabilização. Faltam órgãos comprometidos com o verdadeiro desenvolvimento e democratização, o despertar da sociedade nacional. Todos parecem fazer trabalhos encomendados.

Foto de Amadú Tidjane Sal.
Amadu Tidjane Sal (Facebook)

Tens trabalho, fundamentalmente, na área ambiental. De que forma é que, na tua opinião, o jornalismo pode ajudar à mudança de comportamentos em torno do meio-ambiente?

Os meios de comunicação e as escolas são os únicos meios que podem fazer mudar os comportamentos. Ou seja, despertar a consciência crítica ambiental dos cidadãos, informando e educando para os valores éticos, morais, sociais e ambientais.

Abriste um blog sobre informação ambiental. Porquê?

Quero despertar a consciência dos leitores, dar a minha modesta contribuição para o bem da planeta e das próximas gerações, dar exemplos, mostrar os exemplos bons e criticar as más práticas.

3 pensamentos sobre “Jornalismo na Guiné-Bissau: Amadu, jornalista ambiental

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