O Repórter Imersivo, jornalismo 360º

A Galeria de Paris, no Porto, recebeu, no passado dia 1, a apresentação pública do projecto O Repórter Imersivo, a primeira plataforma portuguesa totalmente dedicada ao jornalismo imersivo.

O Repórter Imersivo nasceu da iniciativa de António Baía Reis, investigador e docente da Universidade do Porto, com a colaboração de João Mota, especialista em conteúdos imersivos.

A estreia da plataforma acontece com “PLAX”, um documentário sobre o músico cabo-verdiano Plácio Vaz (aka Plax).

Através de tecnologias de realidade virtual (RV ou VR, na sigla em inglês), como o vídeo 360 graus, o espectador pode ‘mergulhar’ nas histórias, vivendo-as na primeira pessoa. Aplicada ao jornalismo, a RV é uma tendência crescente, mas ainda incipiente.

A produção de conteúdos em RV depende do uso de câmaras de vídeo estereoscópico (360º), disponíveis com diferentes níveis de qualidade e preço. Do lado do público, para que a experiência faça sentido, é necessário ter óculos adequados (de realidade virtual), igualmente à venda e com opções relativamente baratas.

O futuro da tecnologia nas redacções dependerá da forma como o mercado se comportar, tanto na produção de conteúdos (com a adequação das narrativas jornalísticas ao potencial tecnológico oferecido), como na reacção dos consumidores.

O facto de várias marcas globais de jornalismo – exemplificamos com El Pais e New York Times – estarem a reforçar a sua aposta no formato, parece ser um sinal optimismo.

Sobre O Repórter Imersivo, fiz algumas perguntas ao mentor, António Baía Reis.

Porquê a aposta no jornalismo imersivo?

O jornalismo imersivo afigura-se como um fenómeno emergente nas práticas jornalísticas, que paralelamente a outros fenómenos, tais como o jornalismo drone, ou o jornalismo de dados, surge com a promessa de permitir às pessoas experienciar as notícias de uma perspectiva diferente. Tendo em conta que um pouco por todo o Mundo instituições tais como o New York Times, BBC ou CNN já produzem regularmente notícias predominantemente em vídeo 360, pareceu-me ter toda a lógica pensar e criar uma plataforma em Portugal totalmente dedicada a esta nova prática.

Que características particulares tem a narrativa jornalística quando usamos técnicas de jornalismo imersivo?

O jornalismo imersivo faz uso de tecnologias de realidade virtual e vídeo 360 que permitem uma perspectiva na primeira pessoa, despoletando uma forte sensação de imersão e presença. Através de óculos de realidade virtual, é agora possível estarmos imersos num cenário de guerra ou um outro qualquer contexto que por norma seria inacessível à maior parte das pessoas. Neste sentido, a narrativa jornalística adquire aqui uma forte dimensão de espacialidade, assim como estabelece uma relação profundamente empática entre notícia e público.

Caminhamos para um futuro onde as pessoas exigem dos media uma experiência dos conteúdos profundamente personalizada e subjectiva

António dos Reis

Estamos a falar de um nicho de mercado ou do futuro do jornalismo?

Nem uma coisa nem outra, ou seja, sendo este um fenómeno nascente, ainda está por se descobrir o seu potencial de massificação e absorção plena pelos media. No entanto, é inquestionável que nem todas as matérias jornalísticas são susceptíveis de serem trabalhadas em jornalismo imersivo, porque nem todas as matérias requerem uma dimensão de narrativa espacial acentuada. Disto isto, e no momento, podemos afirmar que o jornalismo imersivo é uma prática de nicho, complementar ao jornalismo tradicional.

Quanto ao futuro do jornalismo, penso que cada vez mais o jornalismo vai absorver nas suas práticas novas tecnologias. Caminhamos para um futuro onde as pessoas exigem dos media uma experiência dos conteúdos profundamente personalizada e subjectiva, logo, e tendo sempre como pano de fundo demarcados pressupostos éticos e boas práticas, as redacções não podem virar costas a novas formas de optimizar os seus conteúdos.

Em concreto, o que ambicionam com esta plataforma? Estamos perante uma espécie de laboratório de ideias ou algo que poderá desenvolver-se para um modelo mais comercial?

O Repórter Imersivo assume-se claramente como um laboratório de ideias, sem qualquer pretensão comercial. O nosso objectivo é juntar as pessoas que em Portugal estão agora a experimentar esta prática. A plataforma servirá como espaço para a publicação deste tipo de conteúdos, mas sobretudo como um espaço para a partilha de problemas, soluções e demais questões associadas ao jornalismo imersivo.

Se quer saber mais sobre jornalismo imersivo, sugiro o artigo de Zahra Rasool, da MediaShift, publicado na IJNET, e que é uma boa introdução ao tema.

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