Encontrar um modelo de negócio, valorizar a marca, gerar receita

Fundada em 2006, a BuzzFeed é uma gigante norte-americana online, que se tornou especialista em gerar clicks, através de uma rigorosa selecção de conteúdos, associada a uma avançada capacidade de distribuição, tirando o melhor partido de algoritmos de redes sociais e motores de busca. Mal amada pelas marcas tradicionais de media, a organização de Jonah Peretti lucra milhões com um modelo de negócio que, no essencial, passa por colocar na net conteúdo viral que vai ao encontro das preferências dos utilizadores naquele exacto momento. Mas é o próprio Peretti a perceber que há qualquer coisa que não bate certo.

Numa nota publicada esta semana, o fundador da BuzzFeed explica que, apesar de 2017 ter sido um ano de crescimento, os ganhos ficaram aquém das possibilidades, limitados pela política de distribuição de receitas publicitárias dos gigantes da World Wide Web.

This economic impasse poses a deep threat to society in a time when political and cultural polarization are deeper than ever, fracturing our shared sense of reality. The big tech platforms enable personalized media bubbles that let us live in our own worlds, while traditional media companies are embracing subscription models geared toward affluent subscribers, reinforcing the existing worldview of elites. Our media ecosystem is increasingly fragmented, and as a result the broader public is increasingly walled off from quality journalism and compelling entertainment. The future of democracy and culture depends on publishers and platforms working together to solve these problems.

 Jonah Peretti

O problema, que visitámos num outro texto, reside no facto de produção e distribuição de serem agora negócios especialmente distintos, com a receita a ser gerada na distribuição, por plataformas que concentram uma percentagem importante do tráfego online mas cuja existência está dependente do conteúdo produzido por terceiros. Ora, a paciência de Peretti parece ter chegado ao fim. O CEO da BuzzFeed quer que os produtores de sejam remunerados convenientemente.

Jonah tem razão. Apenas ‘migalhas’ das receitas geradas por um conteúdo são repassadas ao produtor. A monetização é um processo complexo, dependente de uma série de factores pré-estabelecidos e quem mais lucra é quem aloja e distribui e não quem cria. A complexidade da questão aumenta pelo facto de a Internet estar hoje profundamente direccionada para canais como You Tube ou Facebook, que assim têm uma enorme capacidade de determinar as regras e, claro, guardar para si a melhor parte. A relevância do texto do fundador do BuzzFeed está na importância que este atribui à diversificação de fontes de receita e à necessidade de cortar nos intermediários, construindo alternativas que reequilibrem o jogo (e quando alguém que já faz muito dinheiro na Internet está preocupado com o dinheiro que poderia estar a fazer, então vale mesmo a pena pensar sobre o assunto).

Uma das mais recentes apostas da empresa chama-se Tasty e é um site sobre comida. Toda a gente gosta de comer, não é? Quase todos gostamos de ver imagens incríveis sobre comida? Muitos gostam de cozinhar? E há milhares de horas de vídeos com receitas na Internet? Óptimo! Vamos fazer bem feito e viralizar. Escreve o New York times que a Tasty “has mastered the art of making these videos“, ganhando dinheiro com o conteúdo patrocinado.

Tasty’s success gives a peek into how social-media-fueled companies can extend their digital properties into other realms, Farhad writes. Just as Hollywood used movies to create ecosystems of products — hit records, toys and other merchandising — now digital media companies can make online content and experiences for people hooked on their phones and sell them a plethora of other products too.

New York Times

Adequar a oferta às expectativas do público é uma estratégia válida. O BuzzFeed sabe-o como ninguém. Com uma clarividência que não passou despercebida nos meios mediáticos,  Jonah Peretti apontou o caminho da diversificação como um veículo necessário para virar a página.

De identidade volátil, a empresa nova-iorquina de media tem a vantagem de poder ser o que quiser, sem deixar de ser quem é. Essa é uma missão que fica mais difícil para quem se propõe a produzir conteúdos jornalísticos de interesse público, muitas vezes fora das tendências – o jornalismo não é trendy. Mas eis o fundamental, para pensarmos sobre: encontrar um modelo de negócio que sirva os interesses do projecto, valorizar a marca própria, diversificar fontes de receita, reduzir a dependência dos intermediários.

(BuzzFeed)

 

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