Privacidade online. Saber estar

Esta semana esteve em destaque a questão da privacidade online, suscitada por notícias relacionadas com a venda de informação pessoal de 50 milhões de utilizadores do Facebook a uma empresa especializada no seu tratamento e sistematização.

A proporção da discussão, de certa forma empolada por uma indústria que está zangada com o Facebook – os media – permite-nos concluir que este é um problema que se relaciona com um outro: a forma como sabemos ou não estar na Internet, em geral, e nas redes sociais, em particular.

Ora, esta é, portanto, uma questão transversal e que não se resume a um ‘escândalo’ concreto, episódico e que, dentro de dias, será esquecido e substituído por outra indignação temporária.

O caso da Cambridge Analityca não é tão único quanto os media dão a entender mas mostra-nos padrões de comportamento associados i) a quem coloca online mais informação do que, em consciência, deveria ou desejaria fazer; ii) a quem faz negócio com essa mesma informação, em nosso benefício ou para nos prejudicar.

Empresas como Facebook ou Google, para citar as maiores e mais óbvias, baseiam parte importante do seu modelo de negócio na recolha de informação a nossa respeito, que depois é vendida a quem dela precisa. E isso não é necessariamente mau (não é mau na maioria das vezes, aliás).

The company will investigate apps that had access to “large amounts of information” before the 2014 changes, Zuckerberg said, and audit any apps that show “suspicious activity”. A Facebook representative declined to share how Facebook was defining “large amounts of information” or how many apps would be scrutinized.Zuckerberg said in his interviews that the number of apps was in the “thousands”. The company will also inform those whose data was “misused”, including people who were directly affected by the Kogan data operation.

The Guardian

Por esta altura, todos sabemos que a tecnologia e as formas de comunicação estão em acelerados processos de mudança que implicam trazer para a esfera pública partes da nossa vida que tínhamos como privadas. Mas essas mudanças não têm sido acompanhadas por uma melhoria das nossas competências digitais e mediáticas que, no limite, são a nossa melhor defesa, por nos permitirem perceber até onde estamos dispostos a ir e até onde aceitamos ceder.

Quanto mais ingénuos formos e quantos menos informados estivermos, mais expostos ficamos a situações que nos surpreendem mas que, na realidade, em última instância, foram propiciadas pelo nosso próprio comportamento.

O chefe executivo, agora suspenso, da empresa Cambridge Analytica disse a um jornalista, que se fez passar por um potencial cliente, que a sua empresa desempenhou um papel importante na eleição de Donald Trump.
“Fizemos toda a pesquisa, todos os dados, todas as análises, toda a segmentação. Executámos toda a campanha digital, a campanha de televisão e os nossos dados informaram toda a estratégia”, disse Alexander Nix, durante uma reunião gravada pelo Channel 4.

Expresso das Ilhas